Fonte: http://oridesmjr.blogspot.com.br/2012/11/civilizacoes-do-antigo-oriente.html
As grandes civilizações do Extremo Oriente: Índia e China
Pintura em tumba do período Han
* Introdução. Durante
os mesmos séculos em que, na bacia do Mediterrâneo, deu-se o apogeu e a
decadência da Grécia e de Roma, a organização de reinos germânicos e a
formação do império árabe, no Extremo Oriente a Índia e a China
desenvolveram alto grau de civilização.
Na
Antiguidade, raros, porém, haviam sido os contatos entre os povos do
Ocidente e do Extremo Oriente. Alexandre Magno não havia ultrapassado o
rio Indo; os romanos haviam conseguido manter apenas um comércio muito
irregular com a China, para a obtenção da valiosíssima seda (séculos
II-III d.C.).
Foi somente a
partir dos árabes que se estabeleceram contatos mais significativos com
as longínquas regiões orientais, quando suas caravanas e navios
mercantes conseguiram manter um comércio de certa forma estável e
regular. Aproximando assim dois mundos até então distanciados um do
outro, os árabes desempenharam importante papel histórico.
1. Índia भारत
Sabemos que a mais
antiga civilização da Índia - testemunhada pelas ruínas de Mohenjo-Daro
e Harapa - transformou-se, por volta de 1600 a.C., com a invasão de
povos provenientes do sudoeste da Ásia.
Estes
povos, os árias, indo-europeus, vindos talvez das regiões do Cáucaso,
estabeleceram-se às margens do rio Ganges, ampliando, nos séculos
sucessivos, sua área de influência até a região da atual Nova Délhi, e
impondo-se às primitivas populações com a introdução de técnicas
agrícolas, artesanais e militares muito desenvolvidas. Já no século III
a.C., sob o rei Asoka, a Índia formava um grande reino unificado.
* Sociedade. A
sociedade da Índia, que se fora aos poucos estruturando, dividia-se em
rígidas camadas sociais, as castas, consideradas de instituição divina.
As pessoas pertenciam a uma determinada casta por nascimento; não podiam
mudar de casta, nem casar ou ter o menor contato com elementos de outra
casta.
As
castas eram quatro: dos sacerdotes (brâmanes), dos
guerreiros (xátrias), dos camponeses, comerciantes e artesãos (vaicias),
da população conquistada (sudras). Abaixo destes havia os párias, que
não pertenciam a casta alguma (daí o termo pária significar, para nós,
ainda hoje, o indivíduo fora da sociedade).
* Religião. As
crenças religiosas mais antigas da Índia encontram-se documentadas em
vários textos sagrados, redigidos em língua sânscrita, dentre os quais
sobressaem os Vedas.
Os
textos sagrados revelam a crença em uma série de divindades
personificadoras das forças da natureza, afirmam a sobrevivência da alma
e a íntima comunhão de cada indivíduo com o universo.
Por volta de 500
a.C. surgiram, na Índia, os ensinamentos morais e filosóficos de um
membro da casta guerreira, Sidarta Gautama, conhecido
como Buda (Iluminado). Esses ensinamentos, ganhando muitos adeptos,
transformaram-se em religião, a religião budista. O budismo prega a
gradativa purificação do homem, a fim de permitir-lhe vencer o
sofrimento e a miséria, conduzindo-o à perfeita paz e liberdade do
espírito (o Nirvana).
A
religião budista tornou-se religião oficial em parte da Índia (século
III a.C.) e penetrou, a seguir, em outras regiões do Extremo Oriente,
como China, Japão, Ceilão, Tibete.
Com a expansão dos
árabes até a Índia, aí se difundiu também a crença muçulmana; e o
domínio dos turcos acabou intensificando a islamização de boa parte dos
territórios indianos.
2. China 中國
Estruturada em
base agrícola, a sociedade chinesa, tradicional e conservadora, evoluiu
lentamente, com o correr dos séculos, sobrevivendo a crises políticas e
econômicas, aperfeiçoando técnicas, atingindo alto grau de civilização e
cultura, vindo assim a constituir, na época medieval, um dos mais
importantes e mais poderosos impérios do Extremo Oriente.
* Filosofia e religião da China. A
civilização chinesa, desde os mais remotos tempos, apoiou-se nos
princípios filosóficos expressos no Tao (= caminho), que oferecia aos
homens uma solução prática para a vida.
No século VI a.C.,
o pensador Lao-Tsé, baseando-s
A arquitetura é essencialmente religiosa e marcada, a partir do século VI a.C., pela filosofia budista.
Nos séculos VII e
VIII desenvolveu-se a arte da porcelana com a qual os chineses se
tornaram famosos; e, paralelamente, foi evoluindo a pintura, sobretudo a
pintura da paisagem, realizada com rara beleza e delicadeza de traços e
de colorido, sobre papel ou seda.
e no Tao, desenvolveu uma doutrina
filosófica, o taoísmo, que aconselhava sobretudo a meditação, a fim de
permitir ao homem, penetrando em seu mundo interior, sentir melhor as
forças básicas do universo. Essa doutrina filosófica transformou-se em
religião cuja essência consiste em ser o homem bom, humilde, tolerante,
devendo respeitar ao máximo as leis da natureza.
As grandes civilizações do Extremo Oriente: Índia e China
Pintura em tumba do período Han
* Introdução. Durante
os mesmos séculos em que, na bacia do Mediterrâneo, deu-se o apogeu e a
decadência da Grécia e de Roma, a organização de reinos germânicos e a
formação do império árabe, no Extremo Oriente a Índia e a China
desenvolveram alto grau de civilização.
Na
Antiguidade, raros, porém, haviam sido os contatos entre os povos do
Ocidente e do Extremo Oriente. Alexandre Magno não havia ultrapassado o
rio Indo; os romanos haviam conseguido manter apenas um comércio muito
irregular com a China, para a obtenção da valiosíssima seda (séculos
II-III d.C.).
Foi somente a
partir dos árabes que se estabeleceram contatos mais significativos com
as longínquas regiões orientais, quando suas caravanas e navios
mercantes conseguiram manter um comércio de certa forma estável e
regular. Aproximando assim dois mundos até então distanciados um do
outro, os árabes desempenharam importante papel histórico.
1. Índia भारत
Sabemos que a mais
antiga civilização da Índia - testemunhada pelas ruínas de Mohenjo-Daro
e Harapa - transformou-se, por volta de 1600 a.C., com a invasão de
povos provenientes do sudoeste da Ásia.
Estes
povos, os árias, indo-europeus, vindos talvez das regiões do Cáucaso,
estabeleceram-se às margens do rio Ganges, ampliando, nos séculos
sucessivos, sua área de influência até a região da atual Nova Délhi, e
impondo-se às primitivas populações com a introdução de técnicas
agrícolas, artesanais e militares muito desenvolvidas. Já no século III
a.C., sob o rei Asoka, a Índia formava um grande reino unificado.
* Sociedade. A
sociedade da Índia, que se fora aos poucos estruturando, dividia-se em
rígidas camadas sociais, as castas, consideradas de instituição divina.
As pessoas pertenciam a uma determinada casta por nascimento; não podiam
mudar de casta, nem casar ou ter o menor contato com elementos de outra
casta.
As
castas eram quatro: dos sacerdotes (brâmanes), dos
guerreiros (xátrias), dos camponeses, comerciantes e artesãos (vaicias),
da população conquistada (sudras). Abaixo destes havia os párias, que
não pertenciam a casta alguma (daí o termo pária significar, para nós,
ainda hoje, o indivíduo fora da sociedade).
* Religião. As
crenças religiosas mais antigas da Índia encontram-se documentadas em
vários textos sagrados, redigidos em língua sânscrita, dentre os quais
sobressaem os Vedas.
Os
textos sagrados revelam a crença em uma série de divindades
personificadoras das forças da natureza, afirmam a sobrevivência da alma
e a íntima comunhão de cada indivíduo com o universo.
Por volta de 500
a.C. surgiram, na Índia, os ensinamentos morais e filosóficos de um
membro da casta guerreira, Sidarta Gautama, conhecido
como Buda (Iluminado). Esses ensinamentos, ganhando muitos adeptos,
transformaram-se em religião, a religião budista. O budismo prega a
gradativa purificação do homem, a fim de permitir-lhe vencer o
sofrimento e a miséria, conduzindo-o à perfeita paz e liberdade do
espírito (o Nirvana).
A
religião budista tornou-se religião oficial em parte da Índia (século
III a.C.) e penetrou, a seguir, em outras regiões do Extremo Oriente,
como China, Japão, Ceilão, Tibete.
Com a expansão dos
árabes até a Índia, aí se difundiu também a crença muçulmana; e o
domínio dos turcos acabou intensificando a islamização de boa parte dos
territórios indianos.
2. China 中國
Estruturada em
base agrícola, a sociedade chinesa, tradicional e conservadora, evoluiu
lentamente, com o correr dos séculos, sobrevivendo a crises políticas e
econômicas, aperfeiçoando técnicas, atingindo alto grau de civilização e
cultura, vindo assim a constituir, na época medieval, um dos mais
importantes e mais poderosos impérios do Extremo Oriente.
* Filosofia e religião da China. A
civilização chinesa, desde os mais remotos tempos, apoiou-se nos
princípios filosóficos expressos no Tao (= caminho), que oferecia aos
homens uma solução prática para a vida.
No século VI a.C.,
o pensador Lao-Tsé, baseando-se no Tao, desenvolveu uma doutrina
filosófica, o taoísmo, que aconselhava sobretudo a meditação, a fim de
permitir ao homem, penetrando em seu mundo interior, sentir melhor as
forças básicas do universo. Essa doutrina filosófica transformou-se em
religião cuja essência consiste em ser o homem bom, humilde, tolerante,
devendo respeitar ao máximo as leis da natureza.
No
século V a.C., outro grande pensador,Confúcio, sublinhou a ideia de que
o homem pode vir a ser feliz na Terra, bastando para tanto desenvolver
todas as boas qualidades que a natureza humana encerra; e, como Lao-Tsé,
pregou a bondade, a tolerância e o respeito. Além disso, relevou
especialmente as vantagens da educação, das boas maneiras, da tradição,
para a conquista de um harmonioso relacionamento humano entre todas as
classes sociais.
Os ensinamentos de
Confúcio transformaram-se para o povo da China em um admirável sistema
de princípios morais e, através da obra de seus seguidores, tornou-se
doutrina conhecida por confucionismo.
O
taoísmo, o confucionismo e depois o budismo (vindo da Índia)
desempenharam papel importante na história da civilização e da cultura
chinesa.
* Evolução histórica da China. O
regime de governo predominante na China era a monarquia teocrática: o
imperador intitulava-se filho de Deus, encarnando a suprema autoridade
política e religiosa. Dentre as várias dinastias imperiais que
governaram a China destacaram-se:
- A dinastia Ch'in (século III a.C.): unificou
a China, antes dividida em numerosos principados; fortificou o poder
central, destruindo o poder dos nobres; instituiu rígido controle
burocrático e militar nas províncias, impondo a todas elas as mesmas
leis e o mesmo sistema de pesos e medidas. Construiu larga rede de
estradas; para defender as fronteiras do norte e do leste contra a
invasão dos hunos, fez construir a Grande Muralha, aproveitando algumas
fortificações já existentes.
- A dinastia Han (séculos III a.C. - III d.C.): foi
uma das mais célebres e ilustres na história da China. Estendeu as
fronteiras territoriais, estabeleceu contato com outros povos,
desenvolvendo o comércio sobretudo por intermédio de caravanas na rota
da seda, em cujo percurso comerciavam-se artigos de luxo (tecidos de
seda, especiarias e peles) que alcançavam elevadíssimo preço. O contato
entre mercadores de várias procedências favoreceu a troca de informações
e conhecimentos importantes. De um desses contatos estabelecido com
regiões da Índia resultou a penetração na China da religião budista
(século I a.C.).
Na
mesma época, entretanto, em que as tribos germânicas começaram a
transpor as fronteiras do Império Romano, apressando o seu decínio,
povos bárbaros da Ásia central, iniciaram ataques à China, rompendo a
Grande Muralha e ameaçando o império.
Sobreveio, assim,
um longo período de quatro séculos conturbado por invasões e guerras,
com insegurança política, falta de governo central, declínio econômico,
que só veio a terminar com a ascensão de uma nova dinastia.
- A dinastia Tang (séculos VII-X): teve
longa duração, conseguiu repelir invasores, expandir o território
chinês em várias regiões asiáticas, fortalecer a administração,
incentivar a educação e as artes, levando a cultura a um elevado nível
de florescimento, dar prosperidade ao país, restabelecendo o equilíbrio
econômico e o comércio exterior. Mas o avanço dos árabes na Ásia acabou
provocando novo declínio econômico e a queda da dinastia Tang.
Sucedeu-se uma
fase assinalada por contínuas ameaças externas e, por fim, no século
XIII, a China foi tomada de assalto pelos mongóis sob a chefia
de Gêngis-Cã. Seus sucessores estenderam rapidamente o poderio mongólico
para além da China, até a Pérsia, a Rússia, a Ásia central. Nesse
processo, porém, assimilaram hábitos e costumes chineses; demonstrando
grande habilidade política, durante o governo de Cublai-Cã, o célebre
veneziano Marco Polo teve ocasião de visitar a China e outras remotas
regiões asiáticas.
No
século XIV os chineses conseguiram libertar-se do domínio mongólico e
instituiu-se o governo da dinastia Ming (séc. XIV-XVII), que marcou o
início do isolamento da China com relação à Europa, isolamento esse que,
durante 300 anos, iria intensificar-se cada vez mais.
3. Arte do Extremo Oriente
A arte hindu evoluiu lenta e continuamente, sempre por um processo de justaposição de formas antigas e novas.
A arquitetura é essencialmente religiosa e marcada, a partir do século VI a.C., pela filosofia budista.
Os
santuários eram concebidos como modelo, em escala reduzida, do
universo. No centro havia o templo onde se encontrava a imagem divina. O
santuário era fechado por uma muralha, simbolizando as montanhas que
circundam a Terra, e pontilhado por pequenos lagos que lembram os
oceanos terrestres. Na direção dos quatro pontos cardeais abriam-se
portas representando aberturas na abóboda celeste, isto é, as estrelas,
através das quais estabelecia-se o contato entre Deus e os homens.
Os
santuários hindus, dos mais simples aos mais complexos, seguiam este
esquema simbólico. Caracterizavam também os santuários uma variedade
rebuscada de detalhes, ornamentação profusa com baixos-relevos e
esculturas. À ornamentação rebuscada na arquitetura contrapunha-se a
simplicidade da pintura, uma das mais belas manifestações da arte hindu.
A
arte da China, como a vida chinesa, era de caráter acentuadamente
conservador. Sobressaía o gosto pelos pequenos objetos de adorno e
ornamentação, executados em materiais difíceis de serem trabalhados,
bronze, jade, laca, marfim, exigindo paciência, minúcia e grande
habilidade técnica.
Também
na arquitetura transparece a índole conservadora dos chineses.
Palácios, edifícios administrativos, templos obedecem a um mesmo esquema
arquitetônico: várias construções, unidas umas às outras por pátios e
pavilhões formavam um todo harmonioso, integrado na paisagem,
evidenciando a preponderância do conjunto sobre a construção isolada.
Com
a difusão do budismo na China, ganhou importância a escultura e
multiplicaram-se os edifícios religiosos, aparecendo templos cercados de
muros. Um elemento chinês típico é o telhado de pontas curvas,
característico dos pagodes.
HOLLANDA, Sérgio Buarque de. História da Civilização. São Paulo: Nacional, 1980. p. 148-154.
No
século V a.C., outro grande pensador,Confúcio, sublinhou a ideia de que
o homem pode vir a ser feliz na Terra, bastando para tanto desenvolver
todas as boas qualidades que a natureza humana encerra; e, como Lao-Tsé,
pregou a bondade, a tolerância e o respeito. Além disso, relevou
especialmente as vantagens da educação, das boas maneiras, da tradição,
para a conquista de um harmonioso relacionamento humano entre todas as
classes sociais.
Os ensinamentos de
Confúcio transformaram-se para o povo da China em um admirável sistema
de princípios morais e, através da obra de seus seguidores, tornou-se
doutrina conhecida por confucionismo.
O
taoísmo, o confucionismo e depois o budismo (vindo da Índia)
desempenharam papel importante na história da civilização e da cultura
chinesa.
* Evolução histórica da China. O
regime de governo predominante na China era a monarquia teocrática: o
imperador intitulava-se filho de Deus, encarnando a suprema autoridade
política e religiosa. Dentre as várias dinastias imperiais que
governaram a China destacaram-se:
- A dinastia Ch'in (século III a.C.): unificou
a China, antes dividida em numerosos principados; fortificou o poder
central, destruindo o poder dos nobres; instituiu rígido controle
burocrático e militar nas províncias, impondo a todas elas as mesmas
leis e o mesmo sistema de pesos e medidas. Construiu larga rede de
estradas; para defender as fronteiras do norte e do leste contra a
invasão dos hunos, fez construir a Grande Muralha, aproveitando algumas
fortificações já existentes.
- A dinastia Han (séculos III a.C. - III d.C.): foi
uma das mais célebres e ilustres na história da China. Estendeu as
fronteiras territoriais, estabeleceu contato com outros povos,
desenvolvendo o comércio sobretudo por intermédio de caravanas na rota
da seda, em cujo percurso comerciavam-se artigos de luxo (tecidos de
seda, especiarias e peles) que alcançavam elevadíssimo preço. O contato
entre mercadores de várias procedências favoreceu a troca de informações
e conhecimentos importantes. De um desses contatos estabelecido com
regiões da Índia resultou a penetração na China da religião budista
(século I a.C.).
Na
mesma época, entretanto, em que as tribos germânicas começaram a
transpor as fronteiras do Império Romano, apressando o seu decínio,
povos bárbaros da Ásia central, iniciaram ataques à China, rompendo a
Grande Muralha e ameaçando o império.
Sobreveio, assim,
um longo período de quatro séculos conturbado por invasões e guerras,
com insegurança política, falta de governo central, declínio econômico,
que só veio a terminar com a ascensão de uma nova dinastia.
- A dinastia Tang (séculos VII-X): teve
longa duração, conseguiu repelir invasores, expandir o território
chinês em várias regiões asiáticas, fortalecer a administração,
incentivar a educação e as artes, levando a cultura a um elevado nível
de florescimento, dar prosperidade ao país, restabelecendo o equilíbrio
econômico e o comércio exterior. Mas o avanço dos árabes na Ásia acabou
provocando novo declínio econômico e a queda da dinastia Tang.
Sucedeu-se uma
fase assinalada por contínuas ameaças externas e, por fim, no século
XIII, a China foi tomada de assalto pelos mongóis sob a chefia
de Gêngis-Cã. Seus sucessores estenderam rapidamente o poderio mongólico
para além da China, até a Pérsia, a Rússia, a Ásia central. Nesse
processo, porém, assimilaram hábitos e costumes chineses; demonstrando
grande habilidade política, durante o governo de Cublai-Cã, o célebre
veneziano Marco Polo teve ocasião de visitar a China e outras remotas
regiões asiáticas.
No
século XIV os chineses conseguiram libertar-se do domínio mongólico e
instituiu-se o governo da dinastia Ming (séc. XIV-XVII), que marcou o
início do isolamento da China com relação à Europa, isolamento esse que,
durante 300 anos, iria intensificar-se cada vez mais.
3. Arte do Extremo Oriente
A arte hindu evoluiu lenta e continuamente, sempre por um processo de justaposição de formas antigas e novas.
A arquitetura é essencialmente religiosa e marcada, a partir do século VI a.C., pela filosofia budista.
Os
santuários eram concebidos como modelo, em escala reduzida, do
universo. No centro havia o templo onde se encontrava a imagem divina. O
santuário era fechado por uma muralha, simbolizando as montanhas que
circundam a Terra, e pontilhado por pequenos lagos que lembram os
oceanos terrestres. Na direção dos quatro pontos cardeais abriam-se
portas representando aberturas na abóboda celeste, isto é, as estrelas,
através das quais estabelecia-se o contato entre Deus e os homens.
Os
santuários hindus, dos mais simples aos mais complexos, seguiam este
esquema simbólico. Caracterizavam também os santuários uma variedade
rebuscada de detalhes, ornamentação profusa com baixos-relevos e
esculturas. À ornamentação rebuscada na arquitetura contrapunha-se a
simplicidade da pintura, uma das mais belas manifestações da arte hindu.
A
arte da China, como a vida chinesa, era de caráter acentuadamente
conservador. Sobressaía o gosto pelos pequenos objetos de adorno e
ornamentação, executados em materiais difíceis de serem trabalhados,
bronze, jade, laca, marfim, exigindo paciência, minúcia e grande
habilidade técnica.
Também
na arquitetura transparece a índole conservadora dos chineses.
Palácios, edifícios administrativos, templos obedecem a um mesmo esquema
arquitetônico: várias construções, unidas umas às outras por pátios e
pavilhões formavam um todo harmonioso, integrado na paisagem,
evidenciando a preponderância do conjunto sobre a construção isolada.
Com
a difusão do budismo na China, ganhou importância a escultura e
multiplicaram-se os edifícios religiosos, aparecendo templos cercados de
muros. Um elemento chinês típico é o telhado de pontas curvas,
característico dos pagodes.
HOLLANDA, Sérgio Buarque de. História da Civilização. São Paulo: Nacional, 1980. p. 148-154.


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