terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Primeira Guerra Mundial

http://www.estudopratico.com.br/primeira-guerra-mundial-resumo/
Primeira Guerra Mundial - Resumo
Foto: Reprodução
A Primeira Guerra Mundial aconteceu entre os anos de 1914 e 1918, porém, tempos antes, principalmente entre os anos de 1870 e 1914, o mundo vivia uma grande euforia que era conhecida como Belle Epóque (Bela Época). Era um período em que se experimentava um grande progresso tanto no campo econômico quanto no tecnológico. Os países ricos viviam momentos de esperança, crentes de que iriam impor seus desejos aos países mais pobres. Porem, na verdade, todo esse clima de festa estava escondendo fortes tensões que viriam a deflagrar aquela que também ficou conhecida como a Grande Guerra ou Guerra das Guerras, um dos maiores acontecimentos da história mundial.
Quanto mais os países europeus se industrializavam, maior ficava a disputa entre eles, que queriam dominar não apenas a Europa, mas modernizar sua economia se sobrepondo sobre as outras nações. Esse clima acirrado provocou uma forte tensão, pois os países industrializados disputavam os mercados consumidores mundiais e as matérias primas com todas as armas que lhes eram possíveis.

Causas

Com essa disputa acirrada pelo mercado mundial, foram surgindo os primeiros sinais de que uma grande guerra estaria vindo pela frente. O países da Europa começaram a investir em tecnologia de guerra, engrossando as fileiras do exército. Além disso, foi desenvolvido uma política que ficou conhecida como “política de alianças”. Foram assinados acordos militares que dividiram os países europeus em dois blocos, que mais tarde dariam início a primeira Guerra Mundial. A divisão colocava de um lado a Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro, que formavam a Tríplice Aliança, e do outro a Rússia, França e Inglaterra, compondo a Tríplice Entente.
Não podemos esquecer do revanchismo que existia entre a França e a Alemanha, já que no final do século XIX durante a Guerra Franco-Prussiana o país havia perdido a região da Alsácia-Lorena para os Alemães, e agora desejavam poder retomar a região novamente.
Uma das causas que provocou a guerra propriamente dita foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, enquanto fazia uma visita a Saravejo, região da Bósnia-Herzegovina. O criminoso era um jovem que pertencia a um grupo Sérvio (Mão Negra) que era contra a intervenção da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. Insatisfeito com as atitudes tomadas pela Sérvia contra o criminoso, o império austro-húngaro declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914.

A Guerra

Com a guerra tendo iniciado, alguns dos primeiros ataques aconteceram contra o continente africano e no oceano pacífico, onde haviam colônias e territórios ocupados pelos europeus. A África do Sul foi atacada pelas forças alemãs em 10 de agosto, pois as terras pertenciam ao império Britânico. A Nova Zelândia invadiu a Samoa, que pertencia a Alemanha, e a Força Naval e expedicionária Australiana desembarcou na ilha de New Pommem, que viria a se tornar futuramente a Nova Bretanha, que na época fazia parte da chamada Nova Guiné Alemã.
Coube ao Japão invadir as colônias micronésias e o porto alemão que abastecia carvão, de Qingdao, na península chinesa de Shandog.
Todos esses ataques fez com que em pouco tempo a Tríplice Entende tivesse dominado todos os territórios alemães no Pacífico.
No ano de 1917 os Estados Unidos decidiram entrar na guerra. Eles se posicionaram ao lado da Tríplice Entente, já que tinham acordos comerciais milionários envolvidos com países como Inglaterra e França. Esta união foi crucial para a vitória da Entente, o que acabou forçando os países derrotados a assinarem a rendição.
A partir de então foi feito o Tratado de Versalhes, que impôs aos derrotados fortes restrições, fazendo com que, por exemplo, a Alemanha reduzisse seu exército, que fosse mantido um controle sobre a indústria bélica do país, a devolução da região Alsácia-Lorena à França, além de ter que pagar os prejuízos da guerra aos países vencedores.

Resumo das consequências da Primeira Guerra Mundial

A guerra trouxe inúmeras consequências, entre elas:
  • Centenas de Famílias destruídas e crianças órfãs (Cerca de 10 milhões de mortos)
  • Os EUA vieram a se tornar o país mais rico do mundo
  • Fragmentação do império Austro-Húngaro 
  • Surgimento de alguns países (Iugoslávia) e desaparecimento de outros
  • Divisão do império turco após 200 anos de decadência 
  • Aumento do desemprego na Europa

Resumo Grécia antiga

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História da Grécia Antiga
Expansão grega, sociedade grega, mitologia grega, arte grega, economia, civilização grega, religião, pólis,
cidades-estados, Atenas e Esparta, cultura grega, Olimpíadas, Guerra do Peloponeso, mapa da Grécia, resumo
 
  Introdução

A civilização grega surgiu entre os mares Egeu, Jônico e Mediterrâneo, por volta de 2000 AC. Formou-se após a migração de tribos nômades de origem indo-europeia, como, por exemplo, aqueus, jônios, eólios e dórios. As pólis (cidades-estado), forma que caracteriza a vida política dos gregos, surgiram por volta do século VIII a.C. As duas pólis mais importantes da Grécia foram: Esparta e Atenas.

Expansão do povo grego (diáspora)

Por volta dos séculos VII a.C e V a.C. acontecem várias migrações de povos gregos a vários pontos do Mar Mediterrâneo, como consequência  do grande crescimento populacional, dos conflitos internos e da necessidade de novos territórios para a prática da agricultura. Na região da Trácia, os gregos fundam colônias, na parte sul da Península Itálica e na região da Ásia Menor (Turquia atual). Os conflitos e desentendimentos entre as colônias da Ásia Menor e o Império Persa ocasiona as famosas Guerras Médicas (492 a.C. a 448 a.C.), onde os gregos saem vitoriosos.
Esparta e Atenas envolvem-se na Guerra do Peloponeso (431 a.C. a 404 a.C.), vencida por Esparta. No ano de 359 a.C., as pólis gregas são dominadas e controladas pelos Macedônios. 
Economia da Grécia Antiga

A economia dos gregos baseava-se no cultivo de oliveiras, trigo e vinhedos. O artesanato grego, com destaque para a cerâmica, teve grande a aceitação no Mar Mediterrâneo. As ânforas gregas transportavam vinhos, azeites e perfumes para os quatro cantos da península. Com o comércio marítimo os gregos alcançaram grande desenvolvimento, chegando até mesmo a cunhar moedas de metal. Os escravos, devedores ou prisioneiros de guerras foram utilizados como mão-de-obra na Grécia. Cada cidade-estado tinha sua própria forma político-administrativa, organização social e deuses protetores.
Cultura e religião

Foi na Grécia Antiga, na cidade de Olímpia, que surgiram os Jogos Olímpicos em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia. Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia também atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no século V ( Período Clássico da Grécia). Platão e Sócrates são os filósofos mais conhecidos deste período.
A dramaturgia grega também pode ser destacada. Quase todas as cidades gregas possuíam anfiteatros, onde os atores apresentavam peças dramáticas ou comédias, usando máscaras. Poesia, a história , artes plásticas e a arquitetura foram muito importantes na cultura grega.
A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os deuses possuíam características humanas e de deuses. Os heróis gregos (semideuses) eram os filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses, comandava todos os demais do topo do monte Olimpo. Podemos destacar outros deuses gregos : Atena (deusa das artes), Apolo (deus do Sol), Ártemis (deusa da caça e protetora das cidades), Afrodite (deusa do amor, do sexo e da beleza corporal), Deméter (deusa das colheitas), Hermes (mensageiro dos deuses) entre outros. A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes.
Os gregos costumavam também consultar os deuses no oráculo de Delfos. Acreditavam que neste local sagrado, os deuses ficavam orientando sobre questões importantes da vida cotidiana e desvendando os fatos que poderiam acontecer no futuro.
Na arquitetura, os gregos ergueram palácios, templos e acrópoles de mármore no topo de montanhas. As decisões políticas, principalmente em Atenas, cidade onde surgiu a democracia grega, eram tomadas na Ágora (espaço público de debate político). 

domingo, 27 de julho de 2014

O Iluminismo

Fonte : http://www.suapesquisa.com/historia/iluminismo/
O Iluminismo
História do Iluminismo, o pensamento no Século das Luzes, critica ao absolutismo, pensadores iluministas, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e D'Alembert, ideias dos principais filósofos, filosofia e política nos séculos XVII e XVIII.
Rousseau - filósofo iluminista
Jean Jacques Rousseau: um dos principais filósofos do iluminismo
  Introdução
Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.
Os ideais iluministas 
Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé. 
Século das Luzes
A apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil. 
Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero. 
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas. 
No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: Em primeiro lugar vinha o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa. 
Principais filósofos iluministas 
Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele defendia a ideia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.
 

A centralização do poder nas monarquias européias

Fonte : http://www.sohistoria.com.br/ef2/centralizacaopoder/

A centralização do poder nas monarquias européias

Quando falamos em Europa dificilmente imaginamos o continente europeu sem os países como França,  Inglaterra, Portugal ou Espanha, não é mesmo? Esses países  começaram a se consolidar a partir da Baixa Idade Média, paralelamente ao desenvolvimento do comércio e das cidades.
Até então, nos diversos reinos formados pela Europa com a desagregação do Império Romano do ocidente, os reis exerciam, principalmente, funções militares e políticas. Sem cumprir atividades administrativas, o rei tinha seus poderes limitados pela ação da nobreza feudal, que, por serem os senhores da terra, controlava de fato o poder. Essa organização do poder é chamada monarquia feudal e sua principal característica era a fragmentação do poder.
A partir do século XI, em algumas regiões da Europa, as monarquias feudais iriam servir  de base para a formação de governos centralizados: é o caso da França, da Inglaterra e de Castela (atual Espanha).
Os reis começaram então a concentrar grandes poderes, em parte por causa do apoio e do dinheiro recebido dos burgueses. Ao longo de algum tempo, a aproximação entre o rei e a  burguesia colocariam fim à fragmentação do poder. Entretanto, isso não significou a exclusão da nobreza feudal do poder. Ela se manteve ligada ao rei e usufruindo da sua política.
Além dos reis, ganharam importância nesse processo os burgueses, que se tornaram o grupo social de maior poder político e, sobretudo, econômico.

A formação das monarquias

Durante quase toda a Idade Média não existiam paises como os que conhecemos hoje. Assim, morar em Londres ou em paris não significava morar na Inglaterra ou na França. As pessoas sentiam-se ligadas apenas a uma cidade, a um feudo ou a um reino.
O processo de formação de monarquias com poder centralizado na Europa iniciou-se no século XI e consolidou-se entre os séculos XIV e XVI. Ao final de alguns séculos, esse processo daria origem a muitos dos paises atuais da Europa, como França, Portugal e Espanha. Entretanto, ele não ocorreu ao mesmo tempo e da mesma maneira em todos os lugares do continente. Em regiões como a península Itálica e o norte da Europa nem chegaria a se consolidar.
Quase sempre estiveram envolvidos nesse processo de centralização do poder os mesmos grupos sociais: os reis, a burguesia e os nobres feudais. Cada um desses grupos era movido por interesses próprios. Muitas vezes, esses interesses eram convergentes; outras vezes, radicalmente opostos.
Para a burguesia, novo grupo social se formava, a descentralização política do feudalismo era inconveniente. Isso porque submetia os burgueses  aos impostos cobrados pelos  senhores e dificultava a atividade comercial pela ausência de moeda comum e de pesos e medidas padronizados.


Burguesia: Retrato do casamento  de Jan van Eyck, pintor de Bruges. Esta imagem retrata o comerciante Giovani Arnolfini, no dia do seu casamento.

Essas circunstâncias acabaram aproximando os burgueses dos reis, interessados em concentrar o poder em suas mãos. Nessa aliança, a burguesia contribuía com o dinheiro e o rei, com medidas políticas que favoreciam o comércio.  O dinheiro da burguesia facilitava aos reis a organização de um exercito para impor sua autoridade à nobreza feudal.
Essa mesma nobreza feudal, por sua vez, encontrava-se enfraquecida pelos gastos com as Cruzadas e tinha necessidade de um apoio forte, até mesmo para se defender das revoltas camponesas, que se intensificavam. Procurou esse apoio nos reis, apesar de muitas vezes se sentir prejudicada com a política da realeza em favor da burguesia, que colocava fim a vários dos privilégios feudais. Dividido entre a burguesia e a nobreza feudal, o rei serviu como uma espécie de mediador entre os interesses dos dois grupos.
Ao final de um longo período, esse processo acabou possibilitando a formação de um poder centralizado e a consolidação de uma unidade territorial. Com isso, formar-se-iam em diversas regiões da Europa monarquias com poder centralizado, nas quais os reis detinham grande parte do poder.
Assim, a monarquia foi forma de governo sob a qual se organizou a Europa entre o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

Nero o Imperador

fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/saiba-mais-nero-imperador-celebridade

Saiba mais sobre Nero, o imperador celebridade

O psicopata gostava de se exibir para a plebe, representar e disputar corridas equestres - e isso o tornou popular

Texto Eduardo Szklarz | 18/12/2012 15h29
Cruel, insano, depravado? É pouco. Nero era um monstro. Foi para a cama com a mãe e mandou matá-la. Envenenou o meio-irmão, degolou a primeira esposa e chutou a segunda, grávida, até ela morrer. O imperador romano também castrou um liberto, vestiu-o de mulher e se casou com ele numa festa de arromba. Mas o problema mesmo era que adorava cantar e atuar em público, algo imperdoável para quem tinha o título de princeps ("o primeiro no Senado").

Nero incendiou Roma e ficou tocando lira enquanto a cidade ardia em chamas. Condenou os cristãos pela tragédia, fazendo deles tochas humanas e jogando-os a cães ferozes. Não poupou nem são Pedro do martírio. E, enquanto o povo se lamentava sobre as ruínas, ele ergueu um palácio banhado de ouro. Em apenas 14 anos de governo (entre 54 e 68), Nero perdeu o apoio do Senado, dos magistrados, da terceira mulher e até de seu preceptor, o filósofo Sêneca. Aos 30 anos, ante um golpe de estado iminente, deu cabo da própria vida com uma punhalada no pescoço. Suas as últimas palavras: Qualis artifex pereo! ("Que artista morre comigo!").


Isso é o que dizem Suetônio, Tácito e Cássio Dio, as principais fontes sobre Nero. Detalhe: todos eles representavam os interesses do Senado, ressentido pela concentração de poder feita pelo imperador e de sua aproximação com a plebe. E nenhum deles foi testemunha ocular dos episódios citados. Tácito tinha 12 anos quando Nero morreu, Suetônio nem havia nascido e Cássio Dio só escreveu no século 3. O que lemos, portanto, é uma imagem um tanto pejorativa de Nero, que foi exacerbada nos séculos seguintes por autores cristãos, como Tertuliano e santo Agostinho. Para eles, Nero era o Anticristo. E ele era mesmo mau.

Ele foi capaz de crueldades inimagináveis e provavelmente eliminou boa parte de sua família - o que, aliás, era uma praxe na dinastia júlio-claudiana. Mas não era o louco que nos pintaram, e sim um imperador-artista que teatralizou a própria vida para atrair a atenção do público. Até virar uma celebridade para os padrões da época e conquistar a simpatia da plebe. Tanto que, após seu suicídio, surgiram rumores de que não havia morrido - tal como um Elvis Presley dos tempos antigos.

Nesta reportagem, tentamos entender o contexto em que Nero viveu e governou para chegar perto de saber quem ele foi.

1º ato - Jogos de família

Nero tinha o DNA dos Césares. Sua mãe, Agripina, era bisneta de Augusto, o primeiro imperador romano - por sua vez, sobrinho-neto do lendário Júlio César. Mas o garoto parecia destinado ao anonimato. Em 39, quando tinha 2 anos, perdeu o pai e sua mãe foi enviada ao exílio por desavenças com o irmão, o imperador Calígula. Nero foi criado pela tia, Domitia Lépida, sem perspectivas de chegar ao trono.

Em 41, contudo, houve uma reviravolta. Calígula foi assassinado, e seu tio Claudio, feito imperador, permitiu o retorno de Agripina do exílio. Agripina sabia que, sendo mulher, não poderia exercer o poder supremo em Roma. Mas seu filho, sim. E ela decidiu usá-lo para realizar suas ambições. Em 49, Agripina se casou com Claudio e o convenceu a adotar Nero. O menino abandonou o nome de nascença, Lúcio Domicio Ahenobarbo, e assumiu a identidade de Nero Claudio César Augusto Germânico. "A mudança de nome foi importante porque aproximou Nero da célula de poder", diz a historiadora Luciane Munhoz de Omena, da Universidade Federal de Goiás.

Em 53, a mãe induziu Nero a se casar com Otávia, filha de Claudio. O xeque-mate veio no ano seguinte. Agripina envenenou o marido com medo de que ele privilegiasse o filho Britânico, de 14 anos, na sucessão ao trono. "Com uma droga rápida e drástica, temia ela, o crime seria óbvio", escreve Tácito em sua obra Anais. Por isso, Agripina teria optado por intoxicar Claudio com cogumelos.

Como em várias passagens desta história, nunca saberemos como Claudio morreu. Mas o fato é que Nero se tornou o homem mais poderoso do mundo aos 16 anos. "Nero não estava pronto para governar sozinho, uma tarefa que tinha frustrado e sobrecarregado líderes muito mais preparados do que ele", diz o historiador David Shotter, da Universidade de Lancaster, no livro Nero (inédito no Brasil). "Sua insegurança o levaria a cometer atos violentos. Ele não foi malvado como no mito popular, e sim o produto da história traiçoeira e sanguinária da dinastia júlio-claudiana."

No início do reinado, Nero compartilhou o poder com Agripina. Imagens de mãe e filho foram impressas no denário, a moeda da época. Em outra moeda, o áureo, Nero e Agripina figuravam frente a frente, olhos nos olhos... Será que compartilhavam também a cama, como diziam as más línguas? Seja como for, a relação dos dois degringolou em 55, quando Nero se apaixonou pela ex-escrava Acte.

"Enfurecida, Agripina começou a espalhar que Britânico já tinha idade suficiente para ocupar o trono", diz o historiador Edward Champlin, da Universidade de Princeton. Mas desta vez o plano de Agripina deu errado. Britânico caiu duro após sorver algumas talagadas de vinho. Poderia ter sido um surto epiléptico, mas Suetônio discorda. Em A Vida dos Doze Césares, o biógrafo acusa Nero de matar Britânico para garantir que o irmão de criação nunca reivindicasse o trono.

É bem provável que isso seja verdade, a julgar pelas atitudes de Nero a partir de então. Ele afastou a mãe do palácio e governou com a ajuda do filósofo Sêneca e de Afrânio Burro, capitão da Guarda Pretoriana - sua brigada de escolta. Aos 18 anos, já tinha uma forma peculiar de ganhar popularidade. Organizava banquetes públicos e comia com a plebe. Visitava bordéis e alentava brigas de rua. Causava horror em alguns, mas admiração da maioria.

2º ato - Da república ao principado

Em 58, aos 20 anos, Nero conheceu o grande amor de sua vida: Popeia Sabina, casada com um amigo seu. A bela jovem o teria convencido a se livrar de Agripina, numa operação digna de James Bond (veja ao lado). O matricídio chocou o Senado.

Para entender a difícil relação entre Nero e os senadores, é preciso lembrar que o equilíbrio entre os poderes vinha cambaleando desde meados da República (509-27 a.C.), quando Roma empreendeu uma forte expansão territorial, que se estendeu pela costa do mar Mediterrâneo. O crescimento do império abasteceu Roma de dinheiro e escravos, mas exigia um exército organizado. "Políticos passaram a comandar os batalhões. E viram que tinham força militar para alcançar seus objetivos", diz Shotter. "Sempre havia o perigo de uma guerra civil." A solução foi escolher um governante forte e virtuoso. Não um rei, mas alguém com poder suficiente para evitar conflitos.

Foi assim que Augusto se tornou o primeiro imperador. Em 27 a.C., o tataravô de Nero recebeu o título de princeps ("o primeiro no Senado"), jurando manter a separação de poderes da República. Na prática, fez o oposto: promulgou leis, organizou as províncias imperiais e controlou as finanças, a religião e a Justiça. Essas práticas continuaram nos reinados de Tibério, Calígula, Claudio e - claro - Nero.

Esse clima de disputa influenciou as obras de Suetônio, Tácito e Cássio Dio. "Não dá para dizer que Nero sempre foi tido como louco e maldito. Ele vai ser considerado assim dependendo do grau de conflito que estabelece com os senadores", diz a historiadora Luciane Munhoz de Omena, da Universidade Federal de Goiás. Segundo ela, o caso de Nero teve um agravante: ele foi um princeps que se aproximou da plebe e, com isso, se afastou dos interesses das magistraturas militares e civis. Agora pode-se entender como a morte de Agripina acirrou os ânimos. Senadores olhavam com desdém para Nero, "o sujeito que matou a própria mãe". O que ninguém esperava é que o crime despertaria a criatividade do imperador. E aqui começa a virada que o transformou numa espécie de autoridade performática. Ele começou a cantar em público e participar de corridas de quadriga - os carros puxados por 4 cavalos. Em 60, estabeleceu em Roma torneios quinquenais à moda das olimpíadas gregas: os Jogos Neronianos. Ele competia nas provas de música e corrida equestre.

Atuar em público não era digno dos nobres, mas Nero não foi o primeiro a fazer isso. Desde Júlio César, até senadores haviam sucumbido ao desejo de se mostrar nas arenas ao lado de bailarinos, gladiadores e cocheiros. Mas nenhum deles chegou perto do grau de exibicionismo e narcisismo de Nero.

3º ato - O fogo

Nero se identificava com Apolo. O deus grego que tocava lira. Em 18 de julho de 64, boa parte de Roma foi reduzida a cinzas. Apenas 4 dos 14 distritos da cidade escaparam do incêndio, que começou no Circo Máximo e durou 6 dias. O fogo se espalhou graças às ruas estreitas, onde 1 milhão de habitantes se espremiam. Eram 66 mil pessoas por quilômetro quadrado, o dobro da densidade de Mumbai - a cidade mais apinhada de hoje. Suetônio diz que Nero tocou lira enquanto Roma ardia. Ok, a acusação é falsa. "Nero não estava lá durante o incêndio", diz o arqueólogo Darius Arya, diretor do Instituto Americano para a Cultura Romana, em Roma. O imperador inclusive bolou um plano de urbanização ao reconstruir a cidade, com ruas mais largas e prédios mais baixos. Mas nada disso reduziu as suspeitas de que ele havia causado o incêndio. Fazia sentido. O fogo permitiu que Nero construísse o Domus Aurea, um palácio banhado de ouro, com 300 aposentos, no coração de Roma. Para desviar os rumores de que a causa do incêndio seria a especulação imobiliária, Nero culpou a incipiente comunidade cristã pela tragédia, aproveitando a antipatia que ela gerava na população.

Os cristãos sofreram as 3 formas de execução habituais em Roma: crucificação, fogueira e exposição a feras. Tudo dentro da tradição de transformar castigos em espetáculos de massa. O imperador não deixou de conferir seu tom teatral: ao apresentar os cristãos como bestas que os cães deveriam destroçar, fez uma ponte com o mito grego de Acteon - transformado em cervo e despedaçado por cães de caça. Mais: enquanto os cristãos queimavam como tochas humanas, Nero saiu pelas ruas vestido de cocheiro, uma alusão ao deus Hélio (o Sol). "Não era preciso muita imaginação para concluir que Nero queria representar uma nova aurora a Roma depois dos dias de escuridão", diz Edward Champlin.

4º ato - Vida de superstar

O ano de 64 marcou a fase dourada de Nero. Depois do incêndio de Roma, começou a cantar, organizar espetáculos circenses e declamar poemas. Em sua trajetória, nunca escondeu do público sua vida privada. Nem mesmo o arrebato de fúria contra a amada Sabina: Nero a teria matado, grávida, a pontapés. O terceiro casamento também durou pouco. Nero disse "sim" para Estatilia Messalina em 66, mas largou-a quando conheceu o jovem Esporo, que se parecia com Sabina. Assim relata Dion de Prusa, contemporâneo dos fatos: o imperador castrou Esporo, vestiu-o de mulher, fez dele sua esposa e lhe deu o nome de Popeia Sabina. Em 66, Nero viajou à Grécia para participar das Olimpíadas. Ele forçou a inclusão de provas de canto e atuação. E competiu também como poeta e condutor de quadrigas. Ganhou todos os concursos.

"Nas tragédias, às vezes Nero usava máscara com traços da personagem e outras com seu próprio retrato. No caso de papéis femininos, reproduzia o rosto da defunta Sabina", diz Champlin. Seus papéis favoritos eram Édipo (que havia matado o pai para se casar com a mãe) e Orestes (que matara a mãe para vingar a morte do pai), histórias que mesclam incesto e matricídio. "Foi Nero, e não seus inimigos, que decidiu tornar mitológico o assassinato de sua mãe", diz Champlin.

O arqueólogo Darius Arya concorda: "Roma era um microcosmo se comparada aos 60 milhões de pessoas que viviam em todo o império. E elas gostavam de saber dos feitos de Nero, como hoje gostamos de saber sobre as celebridades." Ok, Nero era bem popular. Mas fez uma boa administração? Uma de suas ações foi colocar menos prata no denário para aumentar a base monetária e o poder de consumo da plebe. Foi bom, mas ajudou a alimentar uma inflação que estourou séculos depois (a economia funcionava em ritmo bem mais lento na Antiguidade).

5º ato - O declínio

Em 67, Nero retornou a Roma aclamado pela multidão. Havia passado 1 ano e meio em "turnê", sem atinar para as revoltas que pipocavam em seus domínios. Uma delas foi liderada por Julio Víndice, governador da província da Gália Lugdunense (o norte e o leste da atual França). Em poucos meses, as províncias espanholas se uniram à rebelião sob o comando do governador Sérvio Galba. "A demora de Nero em enfrentar as revoltas foi vista pelo Senado como um sinal de fraqueza e perda de controle", diz Darius. "É como aconteceu com o furacão Katrina, em 2005, nos EUA: as autoridades sabiam que ele se aproximava da costa de Nova Orleans, mas nada fizeram."

Em 68, o Senado declarou Nero "inimigo público" e apoiou a coroação de Galba. A partir daí, Suetônio e Cássio Dio imprimem na biografia do princeps um tom cada vez mais dramático: isolado, Nero fugiu de Roma e ordenou a seus homens cavar uma fossa. Gritou: Qualis artifex pereo! - traduzido como "que artista morre comigo!" - e se suicidou com um punhal. "Os leitores modernos interpretam mal essa frase de Nero. Artifex, no grego de Dio, pode significar `artista¿ no sentido de intérprete. Mas aqui o sentido é de `artesão¿", diz Champlin. "Nero estava coordenando a construção de sua tumba - uma simples fossa com fragmentos de mármore. E nesse momento alertou sobre o contraste entre o grande artista que havia sido e o lamentável artesão em que se transformara", diz o historiador. "Nero não disse `Que artista morre comigo!¿, e sim quase o oposto: `Que artesão sou em minha agonia!¿"

No fim das contas, Nero foi bem-sucedido no que se propôs: ser amado pela maioria e garantir seu lugar na posteridade. Escreveu e encenou a trama de sua vida sob os aplausos do público. Depois de sua morte, no entanto, o roteiro foi editado de forma enviesada. "Embora alguns historiadores tenham escrito textos elogiosos enquanto Nero era vivo, seu veredito foi derrubado e seus trabalhos não sobreviveram", diz a historiadora Miriam T. Griffin, da Universidade de Oxford, no livro Nero: The End of a Dynasty ("Nero, o Fim de uma Dinastia", inédito no Brasil).

O que os estudos recentes sobre Nero demonstram é que ele ocupou uma posição ímpar entre os imperadores romanos: foi uma espécie de imperador-celebridade, fascinado consigo mesmo e sem pudor de expôr seus dotes aos poderosos e à plebe. Ele se julgava um continuador da glória dos gregos e usava Roma e seu império como um grande palco para suas exibições. Claro, ele foi, sim, um tirano - possivelmente o mais cruel de sua dinastia. Mas sua necessidade de interagir com o povo o transformou em um tirano popstar, alguém de quem a população gostava de ter notícia, de saber o que andava fazendo. Em tempos de bunga-bunga na política italiana, tal como praticado pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, pode-se afirmar que o estilo Nero de governar ainda não saiu de moda.

A morte de Agripina

Os historiadores antigos são unânimes: Nero planejou diversas formas de matar sua mãe, Agripina. Só que todas elas - de veneno a punhaladas - seriam óbvias demais. Foi quando Aniceto, ex-mestre do imperador, sugeriu que ele simulasse um naufrágio durante os festejos de Minerva, previstos para março de 59 na baía de Nápoles. Dito e feito. Depois de um banquete com promessas de reconciliação, Nero se despediu da mãe com beijos nos olhos e a acompanhou até a praia, onde o barco-armadilha a esperava. A embarcação afundou como estava previsto e alguns tripulantes morreram, mas Agripina sobreviveu e nadou até uma barca próxima, que a levou à costa. Ciente da tramoia, ela mandou um mensageiro ao palácio para informar que havia sido salva pelos deuses. E pedir ao filho que a deixasse descansar em paz. Nero ficou aterrorizado, imaginando que sua mãe incitaria o Senado e o povo contra ele. Assim, aproveitou-se da situação: declarou que o mensageiro era um sicário enviado por Agripina para matá-lo. E, alegando direito de autodefesa, mandou soldados darem cabo da imperatriz. Aniceto liderou o grupo e invadiu a villa (residência campestre) de Agripina com uma espada na mão. Golpeou-a na cabeça e seus homens terminaram o serviço. O corpo foi incinerado.

Ele não morreu

A história de Nero não acabou com o suicídio. "Ele continuou muito popular depois da morte, tanto que pelo menos 3 homens alegaram ser o imperador", diz Darius Arya, do Instituto Americano para a Cultura Romana. "Nesse sentido, podemos traçar um paralelo com Elvis Presley." O primeiro falso Nero apareceu na Grécia em 69. Além da semelhança física, ele cantava e tocava lira bastante bem - o suficiente para convencer tropas sírias que o viram na ilha grega de Kython. Segundo Tácito, contudo, a fama do impostor anônimo durou pouco: ele foi executado por soldados do cônsul romano Lúcio Nonio Asprenas. O segundo Nero despontou em 79 na Ásia. Chamava-se Terêncio Máximo e era tão parecido com o imperador que arrebanhou multidões por onde passou. Cássio Dio relata que Máximo selou uma aliança com Artabano 3º, um guerreiro do império parto (atual Irã), rival de Roma. Mas a rebelião falhou e Terêncio foi executado. No final de A Vida de Nero, Suetônio diz que os partos admiravam tanto o imperador que, 20 anos após sua morte, cortejaram outro desconhecido que afirmava ser ele. O sujeito teve seus 5 minutos de glória até ser apanhado pela fraude pelas autoridades.

Saiba mais

Livro

Nero: The End of a Dynasty, Miriam T. Griffin, Routledge, 2000, US$ 35,16

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A solução dos problemas

Fonte: http://www.benhurmatika.blogspot.com.br/2014/07/a-solucao-dos-problemas.html

A solução dos problemas

(Autoria: RBP)

Quando olhamos para os lados e não encontramos
Quando estendemos as mãos para o vazio
Quando esperamos mais um gol do “Brazil”
Quando parece que sozinhos estamos.

Tudo parece estar ao contrário
Falta algo para impedir uma explosão
Impulsos depressivos em expansão
Algo longe do imaginário

A pesar de tudo registrado no diário
E nada fugir da execução
Nem o raro e bom corsário

Sem fugir feito rato
A real solução de todos os problemas
Talvez seja uma drágea deste tal “Tolerato”.


sábado, 5 de julho de 2014

Curiosidades da História

Fonte: http://fatoefarsa.blogspot.com.br/2013/07/mitos-curiosidades-fatos-e-farsas-22.html

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (22)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que uma mulher cheia de brincos, pulseiras e maquiagens é chamada de “perua”?
Tudo começou no século 16, na França, quando eles conheceram o peru (ave) e deram-lhe o nome de “dinde”, como eles também conheciam a galinha-d’angola, que mais tarde passou a ser conhecida como “pintade”. Neste caso há um erro, pois o peru veio da América e a galinha-d’angola veio da Índia. Já no século 18, em Paris, no auge do Absolutismo, os cidadãos chamavam de “dinde” as senhoras da corte de Luís 14 (foto abaixo), o Rei-Sol, uma vez que elas faziam barulho com tantos penduricalhos e chamavam atenção com tantas cores. No século 19 a expressão chegou a Portugal como “perua” e, assim, rapidamente veio parar no Brasil. Também temos abaixo uma imagem de Maria Antonieta, última monarca francesa antes da Revolução de 1789, comprovando que ela também era uma tremenda “dinde”.



Como nasceu a expressão “estar na pindaíba” para significar situação econômica difícil?
Para quem não sabe, pindaíba (foto abaixo) é uma plantinha cujo nome tem origem no idioma tupi “pinda’ïwa”, que por sua vez é formada por “pinda” (anzol) e “ïwa” (vara). Pindaíba era uma plantinha usada pelos índios como varinha de pescar. A expressão surgiu por volta do século 18, quando as pessoas diziam que “estar na pindaíba” era contar somente com a varinha de pescar na tentativa de matar a fome da família em tempos difíceis.


Por que “pois não” significa o mesmo que “sim”, e “pois sim” significa “não”?
Quem nos explica melhor estas expressões é Reinaldo Pimenta, em seu livro “A casa da mãe Joana”. De acordo com o autor, “pois não”, como sinônimo de “sim”, seria uma forma abreviada da frase “Pois você pensa que não farei isso?”. Assim, “pois não?” virou uma forma de a pessoa mostrar-se solícita. “Pois sim”, por sua vez, ganhou tom de ironia, virando sinônimo de “não” e antônimo de “pois não”. De acordo com alguns especialistas em língua portuguesa, “pois sim” surgiu como negativa ao reduzir-se a frase “Pois você pensa que sim, eu não”. Coisas do nosso idioma.

Qual origem da palavra “Réveillon” para a virada de ano?
A sua origem é francesa. Inicialmente era uma refeição feita muito tarde da noite, originária do verbo “réveillier”, o mesmo que “acordar”. Ou seja, praticar “réveillon” era o ato de acordar de madrugada para comer algo. Mais tarde, no século 19, passou a designar a festa de virada de um ano para outro.

Por que o dia 1º de abril é lembrado como o dia da mentira, ou dia dos bobocas?
O calendário juliano de 45 a.C. deslocou o início do ano, que era em 1º de março, para o dia 1º de janeiro. Entretanto, vários povos submetidos aos romanos continuaram com o calendário antigo por conta de resistências de tradições, já que o tempo estava ligado às festividades dos deuses. Os franceses só foram sair deste sistema em 1564, e os ingleses, em 1751! Ou seja, até então, franceses e ingleses comemoravam o ano novo em março. No interior da França e da Inglaterra, em alguns sítios e comunidades rurais a resistência foi muito maior: as pessoas passaram a comemorar o ano novo em 1º de abril, daí passaram a ser conhecidos como “os idiotas de abril”. Assim, passaram a sofrer deboche por parte da sociedade e o dia 1º de abril tornou-se o que é hoje.

Por que a cidade do Rio de Janeiro tem esse nome?
Esse é um erro de impressão que se perpetuou. Quando os portugueses chegaram à Baía de Guanabara em janeiro de 1502, tiveram a impressão de que se tratava da foz de um rio bastante largo. Como estavam no mês de janeiro, passaram a chamar aquele lugar de “rio de janeiro” – ou seja, o nome veio antes da cidade, que só foi oficialmente fundada em março de 1565.


De onde veio a expressão “kitnet” (ou “quitinete”) para um apartamento bem pequeno?
A origem é inglesa, de “kitchenet”, formado de “kitchen” (“cozinha”) + “ette” (usado, antigamente, como sufixo para diminutivo). Assim, virou sinônimo de uma cozinha bem pequena. Nos anos 50, passou a ser substantivo para apartamentos bem pequenos, que contam com sala, cozinha e banheiro.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Linhas de Nazca

Fonte: http://www.arquivodeviagens.com/linhas-de-nazca/
Ir ao Peru e nao sobrevoar as famosas e misteriosas linhas de Nazca, para mim, era impensavel. Eu jà sonhava com essas linhas desde a minha adolescencia, quando li “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Daniken, em que o autor as menciona como sendo obra de alienigenas.
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Realmente as linhas de Nazca sao um misterio. Ninguem sabe quem as construiu, nem o porque da construçao e, principalmente, nem como foram feitos esses desenhos tao precisos, pois só sao “reconheciveis” do alto.
 Alem da teoria de Daniken, existem ainda aqueles que sustentam que os nazcas fossem capazes de construir baloes para observar as linhas do alto,  ou entao que sao figuras  de importancia religiosa, que colegavam os templos, ou entao que sao pistas de corrida… Existem todos os tipos de hipotese, mas nenhuma aceita 100%.
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Uma das maiores estudiosas do assunto, Maria Reiche, atribuiu a “paternidade” das linhas às civilizacoes paracas e nazca, no periodo compreendido entre 900 antes de Cristo até 600 depois de Cristo e, segundo ela, as linhas seriam um calendario astronomico utilizado na agricultura e foram traçadas seguindo sofisticados principios matematicos. Mas o paralelo feito entre o sol, a lua, as estrelas e as linhas de Nazca nao foi suficiente para convencer a comunidade cientifica.
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As linhas de Nazca sao figuras gigantescas que foram desenhadas no deserto peruano, cobrindo uma area de uns 500km2, e, como já disse, para conseguir identifica-las, só mesmo sobrevoando. Nao existem tours terrestres para ver as linhas, pois alem de inuteis – nao dá pra ver nada – sao proibidos – para evitar a destruicao do lugar.
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Os desenhos representados nas linhas de Nazca foram feitos com uma unica linha continua e realizados simplesmente mudando de lugar as pedras do chao; pois na regiao, as pedras sao escuras e o terreno arenoso e claro.
Como na regiao de Nazca a unica coisa que nos interessava era sobrevoar as linhas, nós acabamos fazendo um bate-e-volta a partir de Lima. O objetivo era ir de aviao até Ica, mas nao encontramos nenhuma agencia de turismo que fizesse o percurso a um preço aceitavel, entao acabamos indo de carro alugado com motorista a disposicao e um guia que nos recepcionaria em Ica.
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A viagem foi bem cansativa, tivemos que acordar supercedo para estarmos no aeroporto de Ica às 10h da manha, horario do nosso voo. E’ claro que chegamos no horario certo e è claro que o aeroporto estava fechado por causa do mal tempo.
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Tivemos que esperar até o meio-dia, hora prevista para a abertura do aeroporto. Segundo o nosso guia, é normal e corriqueiro encontrar o aeroporto fechado pela manha. Para passar o tempo fomos visitar o museu de Ica.
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Um museu pequeno e surpreendentemente interessante e com um guia a disposiçao, ficou ainda mais interessante. Aprendemos tudo sobre as civilizaçoes pre-incas, como e pq alguns deformavam os cerebros, as tecnicas de mumificacao, os diversos estilos das ceramicas e tecidos fabricados e vimos coisas que, sem um guia, passaria despercebido, como, por exemplo, a figura de um oriental representada numa ceramica que deixou os arqueologos sem explicacoes: será que os povos antigos no Peru tiveram contato com orientais?
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Depois do museu, voltamos ao aeroporto de Ica com um lindo sol brilhando. Por causa do trafego aereo, todos os voos da manha atrasados, tivemos que entrar numa “fila” e o nosso voo só foi autorizado para as 15h.
Eu já estava ficando impaciente! Mas, para matar o tempo, lá vamos nós passear por Ica de novo. Desta vez, o guia nos levou para visitar a Lagoa Huacachina e comer algumas “tejas”, doces tipicos dessa regiao. A lagoa é bonita, alguns a chamam de “Oasis da America” pois fica no meio de dunas, mas é bonita e só.
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Para passar o tempo, fomos fazer um tour de buggy pelas dunas, muito parecido com aqueles passeios pelas dunas em Natal. Divertido, mas o meu objetivo ali eram as linhas de Nazca e eu já estava tendo um treco, nao conseguia aproveitar mais nada, pois quando o sol se poe, necas de voo sobre as linhas e eu perderia a viagem.
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Preferimos voltar pro aeroporto e esperar por lá. O voo saiu realmente às 15h e foram 30 minutos de Ica até Nazca, 30 minutos sobrevoando as linhas e 30 minutos de retorno a Ica. Ver as linhas de Nazca é algo impressionante! Antes do voo, eu estava pendendo para a teoria da matematica Maria Reiche, depois do voo eu já nao sabia mais no que acreditar e a teoria de Daniken já nao me parecia tao inverossimel assim.
O unico senao desse voo é que o aviao era um teco-teco de 4 lugares e o piloto fazia mil manobras pra lá e pra cá, a fim de que todos pudessem observar bem as linhas de Nazca. Ainda que o aviao fosse dotado daqueles “saquinhos em caso de emergencias”, pra quem enjoa facil nao é um passeio recomendado. E pra quem nao enjoa facil (meu caso), ainda assim convem tomar certas precaucoes antes do voo (o que eu nao fiz), como nao comer nada ou usar um daqueles remedinhos contra enjoo.
Resisti bem os primeiros 15 minutos de voo, depois meu estomago virou de vez, dei vexame e nao consegui aproveitar o resto do passeio. Um outro passageiro foi meu companheiro de vexame e meu marido disse que se o voo durasse mais 5 minutos ele tb nao aguentaria.
Mesmo com todos esses perrengues, essa é uma viagem que eu faria novamente! É inacreditavel!

Nossos ancestrais foram visitados por seres interplanetários.

Fonte:http://www.alemdaimaginacao.com/Alien/o_futuro_no_passado.html

Um pouco de...será

Estaríamos sós no universo? Será que os avistamentos de OVNI's e criaturas Extraterrestres vista por todo o mundo seriam só um mito ou invenção, ou seríamos mesmo visitados por viajantes de outros planetas e galaxias?

Em muitas descobertas arqueológicas, como também em pinturas e gravuras, existem representações e indicações de que nossos ancestrais foram visitados por seres interplanetários. A seguir estão expostos alguns desses exemplos:

Esta escultura Précolombiana em argila se encontra no Museu de Culturas Aborígenes de Quito, Equador.
O que parece?
Mera coincidência ou uma impactante descoberta da verdade?


Esta outra peça está no mesmo museu, e é da mesma época da escultura anterior. Com o que se parece?
Mais uma coincidência?

Peça encontrada em uma escavação arqueológica
(Milhares de Anos)
[PASSADO]
[PRESENTE] (Simples Coincidência?)

Em um templo da cidade de Detchani (Kosovo, antiga Yugoslávia), construído em 1327, se vê esta imagem num afresco que representa a crucificação de Jesus Cristo.
Nele se vê o inusitado
“anjo voador”?
Por acaso um Buck Rogers do século XIV?
Apenas uma simples semelhança, ou a indicação da existência de naves já em épocas muito antigas?
(Como explicar? Apenas coincidência?)


Na Sala Di Saturno do Palácio Vecchio de Florença, Itália, se encontra este quadro da escola de Filippo Lippi, pintado no século XV.
Ao fundo e a direita, dentro de um oval vermelho (para destacar), aparece uma estranha cena. Vamos vê-la mais detalhada e ampliada ao lado.....
No detalhe, seria um ufólogo na época do iinício do renascimento em pleno trabalho de observação?





Em 1949 o arqueólogo Alberto Ruz de L’Huiller descobriu, em um templo da cidade Maia de Palenque (o Templo das Inscrições), no México, uma tumba onde estava sepultado um importante personagem de estatura bem maior que a dos Maias.
A tumba estava coberta por uma lousa com uma gravação em relevo, representando um personagem manipulando os controles de um artefato (voador?)
Neste desenho (todo em linhas finas e colorido para ressaltarem os detalhes) da citada gravação, se pode ver a curiosa posição do personagem manipulando os “controles de uma nave” (bem parecida com a posição dos atuais astronautas no momento da decolagem).
A “nave” em questão, é representada emanando fogo de sua parte inferior, parecendo queima de combustível para propulsão.
Também aparece um “dispositivo de respiração” próximo do nariz do “astronauta”, sendo também que ele flutua (seria por efeito da falta de gravidade?)

O escritor ingês Jonathan Swift escreveu “As viagens de Gulliver”, no século XVIII.
Nesta obra, o personagem principal se encontra em uma praia com uma “ilha flutuante”, cujos tripulantes revelam-lhe que Marte possui duas luas.
Observa-se que as luas de Marte só foram descobertas 151 anos depois de publicada a obra de Swift!
Como explicar tal evento?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Nomes bizarros de reis

http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/7-reis-com-apelidos-bizarros/

7 reis com apelidos bizarros

19 de maio de 2011
Os sobrenomes só começaram a ser usados da maneira como fazemos hoje a partir do século 15. Antes, só se diferenciava uma pessoa de outra do mesmo nome por meio de apelidos, que muitas vezes faziam referência à profissão ou a características físicas (e morais). Na França, por exemplo, eram comuns apelidos como Bienboire (“bom de copo”) e Fritier (“vendedor de peixe frito”). Para os monarcas, cujo nome passava de geração para geração, os apelidos eram ainda mais importantes e mais atrelados a particularidades (algumas vezes, bizarras) do seu dono. Listamos aqui sete dessas alcunhas. Inspire-se nelas para criar seu nickname na próxima rede social.
Carlos II, o Enfeitiçado
Rei da Espanha de 1665 a 1700

O último rei da família dos Habsburgos a reinar sobre a Espanha e parte da Itália era tão repulsivo que todo mundo – inclusive ele próprio – achava que era culpa de algum feitiço ou maldição. Ele chegou até a ser exorcizado.  Além de ter nascido com raquitismo e epilespsia, ele tinha problemas mentais, babava e só foi aprender a falar com quatro anos de idade. Só aos oito começou a andar. Com medo de sobrecarregar o doente, sua família lhe tratava com tanta indulgência que ninguém nem exigia que ele andasse limpo. Carlos também tinha várias superstições e dormia com amuletos debaixo do travesseiro, como fios de cabelo e unhas cortadas. Mas o problema não tinha a ver com poderes malignos. Em sua família, eram muito comuns casamentos entre parentes. Para se ter uma ideia, a mãe de Carlos era sobrinha do pai dele e filha da Imperatriz Maria Ana de Espanha. Assim, a Imperatriz era simultaneamente sua tia e sua avó. A combinação pode ter favorecido doenças genéticas. Está vendo o queixo esquisito do rei na pintura acima? Essa característica era comum em sua família e é causada por uma desordem genética chamada prognatismo mandibular. Como consequência, Carlos não conseguia mastigar direito e mal dava para entender o que ele falava. A loucura também acometeu vários de seus familiares.
Luís V, o Preguiçoso
Rei da França de 986 a 987



Por causa de sua falta de iniciativa, o último rei da Dinastia Carolíngia da França recebeu o desagradável apelido de “Indolente” ou “Preguiçoso” ou “o Não-Faz-Nada”. Mas justiça seja feita: ele reinou por apenas um ano. Subiu ao trono quando tinha 19 anos e morreu no ano seguinte.  Além disso, o poder nessa época ficava quase sempre nas mãos dos nobres. Então, sobrou pouca coisa para ele fazer.
Selim II, O Bêbado
Imperador Otomano de 1566 a 1574

Selim II ganhou o nome graças ao seu desinteresse pelo governo, especialmente no quesito militar. Ele foi o primeiro sultão a ter tanto, digamos, desprendimento, deixando o poder nas mãos de seus ministros para ficar livre para ir atrás do que realmente importava: orgias, vinho, farras. Sua morte deu ainda mais força ao apelido. O imperador levou um tombo enquanto tomava banho bêbado. Em seguida, foi acometido por uma forte febre e acabou batendo as botas.
Pepino III, o Breve
Rei dos Francos, de 752-768

Pepino, o Breve
Embora as biografias não apontem suas medidas, ele era considerado baixo. Daí o apelido “Breve”. Já Pepino era seu nome de verdade –  e era bastante comum em sua família. Seu avô e tataravô também se chamavam assim e ele teve um neto, filho de seu filho Carlos Magno, que era conhecido como Pepino, o Corcunda.  Este, apesar do problema na coluna, era descrito como um homem atraente e muito amável. Pepino, o Corcunda não chegou a virar rei (foi preterido por um irmão mais novo, batizado com o mesmo nome) e , depois de uma tentativa frustrada de golpe para chegar ao poder, teve de passar o resto da vida como um monge.

Pepino, o Corcunda
Luís XI, o Rei Aranha
Rei da França de 1461 a 1483

O reinado de 22 anos de Luís XI foi tão cheio de maquinações políticas e redes (ou teias) de intrigas e conspirações que ele ganhou o apelido de Rei Aranha. Sutil, né? Entre os vários inimigos que conquistou estão Carlos VII (seu próprio pai), seu irmão, seu cunhado e o rei Eduardo IV da Inglaterra. Luís XI tirou o poder dos nobrezas e fortaleceu a monarquia, sendo considerado um dos principais responsáveis pela reunificação do reino e pela sua modernização.
Ivan, o Terrível
Czar da Rússia de 1533 a 1584

Os habitantes de Moscou sofreram muito durante o governo de Ivan, o Terrível. Com medo de suas reações sanguinárias e explosivas (o primeiro czar da Rússia tinha surtos episódicos de loucura), um monte de gente preferiu abandonar a cidade a viver sob o domínio do tirano. Ele arrasou cidades e matou milhares de pessoas. Por medo de conspiração, assassinou o filho com as próprias mãos. Por outro lado, Ivan fez da Rússia uma nação moderna e lançou as bases para que ela se tornasse um grande império mundial mais tarde. Você vai julgá-lo?
Maria, a Sanguinária (ou Bloody Mary)
Rainha de Inglaterra e da Irlanda entre 1553 e 1558

O reinado de Maria I, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, durou apenas cinco anos. Mas foi um dos que mais renderam fofocas na história da Inglaterra. A rainha tentou, em vão, restaurar o catolicismo inglês e perseguiu a igreja que seu próprio pai havia fundado, mandando queimar 300 anglicanos vivos. Até sua meia-irmã, que se tornaria a célebre rainha Elizabeth I (aquela dos filmes), ficou dois meses presa na Torre de Londres. Hoje, Bloody Mary virou nome de uma bebida feita com vodca e suco de tomate.
Para ler mais:
Grandes personagens tinham apelidos
Traições afligem a família real inglesa há mais de 500 anos
Ivan IV: Senhor terror
“A loucura dos reis – Histórias de poder e destruição de Calígula a Saddam Hussein”, de Vivian Green

quarta-feira, 18 de junho de 2014

As grandes civilizações do Extremo Oriente: Índia e China

Fonte: http://oridesmjr.blogspot.com.br/2012/11/civilizacoes-do-antigo-oriente.html

 

As grandes civilizações do Extremo Oriente: Índia e China

Pintura em tumba do período Han

* Introdução. Durante os mesmos séculos em que, na bacia do Mediterrâneo, deu-se o apogeu e a decadência da Grécia e de Roma, a organização de reinos germânicos e a formação do império árabe, no Extremo Oriente a Índia e a China desenvolveram alto grau de civilização.

Na Antiguidade, raros, porém, haviam sido os contatos entre os povos do Ocidente e do Extremo Oriente. Alexandre Magno não havia ultrapassado o rio Indo; os romanos haviam conseguido manter apenas um comércio muito irregular com a China, para a obtenção da valiosíssima seda (séculos II-III d.C.).

Foi somente a partir dos árabes que se estabeleceram contatos mais significativos com as longínquas regiões orientais, quando suas caravanas e navios mercantes conseguiram manter um comércio de certa forma estável e regular. Aproximando assim dois mundos até então distanciados um do outro, os árabes desempenharam importante papel histórico.

1. Índia भारत

Sabemos que a mais antiga civilização da Índia - testemunhada pelas ruínas de Mohenjo-Daro e Harapa - transformou-se, por volta de 1600 a.C., com a invasão de povos provenientes do sudoeste da Ásia.

Estes povos, os árias, indo-europeus, vindos talvez das regiões do Cáucaso, estabeleceram-se às margens do rio Ganges, ampliando, nos séculos sucessivos, sua área de influência até a região da atual Nova Délhi, e impondo-se às primitivas populações com a introdução de técnicas agrícolas, artesanais e militares muito desenvolvidas. Já no século III a.C., sob o rei Asoka, a Índia formava um grande reino unificado.

* Sociedade. A sociedade da Índia, que se fora aos poucos estruturando, dividia-se em rígidas camadas sociais, as castas, consideradas de instituição divina. As pessoas pertenciam a uma determinada casta por nascimento; não podiam mudar de casta, nem casar ou ter o menor contato com elementos de outra casta.

As castas eram quatro: dos sacerdotes (brâmanes), dos guerreiros (xátrias), dos camponeses, comerciantes e artesãos (vaicias), da população conquistada (sudras). Abaixo destes havia os párias, que não pertenciam a casta alguma (daí o termo pária significar, para nós, ainda hoje, o indivíduo fora da sociedade).

* Religião. As crenças religiosas mais antigas da Índia encontram-se documentadas em vários textos sagrados, redigidos em língua sânscrita, dentre os quais sobressaem os Vedas.

Os textos sagrados revelam a crença em uma série de divindades personificadoras das forças da natureza, afirmam a sobrevivência da alma e a íntima comunhão de cada indivíduo com o universo.

Por volta de 500 a.C. surgiram, na Índia, os ensinamentos morais e filosóficos de um membro da casta guerreira, Sidarta Gautama, conhecido como Buda (Iluminado). Esses ensinamentos, ganhando muitos adeptos, transformaram-se em religião, a religião budista. O budismo prega a gradativa purificação do homem, a fim de permitir-lhe vencer o sofrimento e a miséria, conduzindo-o à perfeita paz e liberdade do espírito (o Nirvana).

A religião budista tornou-se religião oficial em parte da Índia (século III a.C.) e penetrou, a seguir, em outras regiões do Extremo Oriente, como China, Japão, Ceilão, Tibete.

Com a expansão dos árabes até a Índia, aí se difundiu também a crença muçulmana; e o domínio dos turcos acabou intensificando a islamização de boa parte dos territórios indianos.

2. China 中國

Estruturada em base agrícola, a sociedade chinesa, tradicional e conservadora, evoluiu lentamente, com o correr dos séculos, sobrevivendo a crises políticas e econômicas, aperfeiçoando técnicas, atingindo alto grau de civilização e cultura, vindo assim a constituir, na época medieval, um dos mais importantes e mais poderosos impérios do Extremo Oriente.

* Filosofia e religião da China. A civilização chinesa, desde os mais remotos tempos, apoiou-se nos princípios filosóficos expressos no Tao (= caminho), que oferecia aos homens uma solução prática para a vida.

No século VI a.C., o pensador Lao-Tsé, baseando-s

As grandes civilizações do Extremo Oriente: Índia e China

Pintura em tumba do período Han

* Introdução. Durante os mesmos séculos em que, na bacia do Mediterrâneo, deu-se o apogeu e a decadência da Grécia e de Roma, a organização de reinos germânicos e a formação do império árabe, no Extremo Oriente a Índia e a China desenvolveram alto grau de civilização.

Na Antiguidade, raros, porém, haviam sido os contatos entre os povos do Ocidente e do Extremo Oriente. Alexandre Magno não havia ultrapassado o rio Indo; os romanos haviam conseguido manter apenas um comércio muito irregular com a China, para a obtenção da valiosíssima seda (séculos II-III d.C.).

Foi somente a partir dos árabes que se estabeleceram contatos mais significativos com as longínquas regiões orientais, quando suas caravanas e navios mercantes conseguiram manter um comércio de certa forma estável e regular. Aproximando assim dois mundos até então distanciados um do outro, os árabes desempenharam importante papel histórico.

1. Índia भारत

Sabemos que a mais antiga civilização da Índia - testemunhada pelas ruínas de Mohenjo-Daro e Harapa - transformou-se, por volta de 1600 a.C., com a invasão de povos provenientes do sudoeste da Ásia.

Estes povos, os árias, indo-europeus, vindos talvez das regiões do Cáucaso, estabeleceram-se às margens do rio Ganges, ampliando, nos séculos sucessivos, sua área de influência até a região da atual Nova Délhi, e impondo-se às primitivas populações com a introdução de técnicas agrícolas, artesanais e militares muito desenvolvidas. Já no século III a.C., sob o rei Asoka, a Índia formava um grande reino unificado.

* Sociedade. A sociedade da Índia, que se fora aos poucos estruturando, dividia-se em rígidas camadas sociais, as castas, consideradas de instituição divina. As pessoas pertenciam a uma determinada casta por nascimento; não podiam mudar de casta, nem casar ou ter o menor contato com elementos de outra casta.

As castas eram quatro: dos sacerdotes (brâmanes), dos guerreiros (xátrias), dos camponeses, comerciantes e artesãos (vaicias), da população conquistada (sudras). Abaixo destes havia os párias, que não pertenciam a casta alguma (daí o termo pária significar, para nós, ainda hoje, o indivíduo fora da sociedade).

* Religião. As crenças religiosas mais antigas da Índia encontram-se documentadas em vários textos sagrados, redigidos em língua sânscrita, dentre os quais sobressaem os Vedas.

Os textos sagrados revelam a crença em uma série de divindades personificadoras das forças da natureza, afirmam a sobrevivência da alma e a íntima comunhão de cada indivíduo com o universo.

Por volta de 500 a.C. surgiram, na Índia, os ensinamentos morais e filosóficos de um membro da casta guerreira, Sidarta Gautama, conhecido como Buda (Iluminado). Esses ensinamentos, ganhando muitos adeptos, transformaram-se em religião, a religião budista. O budismo prega a gradativa purificação do homem, a fim de permitir-lhe vencer o sofrimento e a miséria, conduzindo-o à perfeita paz e liberdade do espírito (o Nirvana).

A religião budista tornou-se religião oficial em parte da Índia (século III a.C.) e penetrou, a seguir, em outras regiões do Extremo Oriente, como China, Japão, Ceilão, Tibete.

Com a expansão dos árabes até a Índia, aí se difundiu também a crença muçulmana; e o domínio dos turcos acabou intensificando a islamização de boa parte dos territórios indianos.

2. China 中國

Estruturada em base agrícola, a sociedade chinesa, tradicional e conservadora, evoluiu lentamente, com o correr dos séculos, sobrevivendo a crises políticas e econômicas, aperfeiçoando técnicas, atingindo alto grau de civilização e cultura, vindo assim a constituir, na época medieval, um dos mais importantes e mais poderosos impérios do Extremo Oriente.

* Filosofia e religião da China. A civilização chinesa, desde os mais remotos tempos, apoiou-se nos princípios filosóficos expressos no Tao (= caminho), que oferecia aos homens uma solução prática para a vida.

No século VI a.C., o pensador Lao-Tsé, baseando-se no Tao, desenvolveu uma doutrina filosófica, o taoísmo, que aconselhava sobretudo a meditação, a fim de permitir ao homem, penetrando em seu mundo interior, sentir melhor as forças básicas do universo. Essa doutrina filosófica transformou-se em religião cuja essência consiste em ser o homem bom, humilde, tolerante, devendo respeitar ao máximo as leis da natureza.

No século V a.C., outro grande pensador,Confúcio, sublinhou a ideia de que o homem pode vir a ser feliz na Terra, bastando para tanto desenvolver todas as boas qualidades que a natureza humana encerra; e, como Lao-Tsé, pregou a bondade, a tolerância e o respeito. Além disso, relevou especialmente as vantagens da educação, das boas maneiras, da tradição, para a conquista de um harmonioso relacionamento humano entre todas as classes sociais.

Os ensinamentos de Confúcio transformaram-se para o povo da China em um admirável sistema de princípios morais e, através da obra de seus seguidores, tornou-se doutrina conhecida por confucionismo.

O taoísmo, o confucionismo e depois o budismo (vindo da Índia) desempenharam papel importante na história da civilização e da cultura chinesa.

* Evolução histórica da China. O regime de governo predominante na China era a monarquia teocrática: o imperador intitulava-se filho de Deus, encarnando a suprema autoridade política e religiosa. Dentre as várias dinastias imperiais que governaram a China destacaram-se:

- A dinastia Ch'in (século III a.C.): unificou a China, antes dividida em numerosos principados; fortificou o poder central, destruindo o poder dos nobres; instituiu rígido controle burocrático e militar nas províncias, impondo a todas elas as mesmas leis e o mesmo sistema de pesos e medidas. Construiu larga rede de estradas; para defender as fronteiras do norte e do leste contra a invasão dos hunos, fez construir a Grande Muralha, aproveitando algumas fortificações já existentes.


A Grande Muralha da China

- A dinastia Han (séculos III a.C. - III d.C.): foi uma das mais célebres e ilustres na história da China. Estendeu as fronteiras territoriais, estabeleceu contato com outros povos, desenvolvendo o comércio sobretudo por intermédio de caravanas na rota da seda, em cujo percurso comerciavam-se artigos de luxo (tecidos de seda, especiarias e peles) que alcançavam elevadíssimo preço. O contato entre mercadores de várias procedências favoreceu a troca de informações e conhecimentos importantes. De um desses contatos estabelecido com regiões da Índia resultou a penetração na China da religião budista (século I a.C.).

Na mesma época, entretanto, em que as tribos germânicas começaram a transpor as fronteiras do Império Romano, apressando o seu decínio, povos bárbaros da Ásia central, iniciaram ataques à China, rompendo a Grande Muralha e ameaçando o império.

Sobreveio, assim, um longo período de quatro séculos conturbado por invasões e guerras, com insegurança política, falta de governo central, declínio econômico, que só veio a terminar com a ascensão de uma nova dinastia.

- A dinastia Tang (séculos VII-X): teve longa duração, conseguiu repelir invasores, expandir o território chinês em várias regiões asiáticas, fortalecer a administração, incentivar a educação e as artes, levando a cultura a um elevado nível de florescimento, dar prosperidade ao país, restabelecendo o equilíbrio econômico e o comércio exterior. Mas o avanço dos árabes na Ásia acabou provocando novo declínio econômico e a queda da dinastia Tang.

Sucedeu-se uma fase assinalada por contínuas ameaças externas e, por fim, no século XIII, a China foi tomada de assalto pelos mongóis sob a chefia de Gêngis-Cã. Seus sucessores estenderam rapidamente o poderio mongólico para além da China, até a Pérsia, a Rússia, a Ásia central. Nesse processo, porém, assimilaram hábitos e costumes chineses; demonstrando grande habilidade política, durante o governo de Cublai-Cã, o célebre veneziano Marco Polo teve ocasião de visitar a China e outras remotas regiões asiáticas.

No século XIV os chineses conseguiram libertar-se do domínio mongólico e instituiu-se o governo da dinastia Ming (séc. XIV-XVII), que marcou o início do isolamento da China com relação à Europa, isolamento esse que, durante 300 anos, iria intensificar-se cada vez mais.

3. Arte do Extremo Oriente

A arte hindu evoluiu lenta e continuamente, sempre por um processo de justaposição de formas antigas e novas.


A arquitetura é essencialmente religiosa e marcada, a partir do século VI a.C., pela filosofia budista.

Os santuários eram concebidos como modelo, em escala reduzida, do universo. No centro havia o templo onde se encontrava a imagem divina. O santuário era fechado por uma muralha, simbolizando as montanhas que circundam a Terra, e pontilhado por pequenos lagos que lembram os oceanos terrestres. Na direção dos quatro pontos cardeais abriam-se portas representando aberturas na abóboda celeste, isto é, as estrelas, através das quais estabelecia-se o contato entre Deus e os homens.

Os santuários hindus, dos mais simples aos mais complexos, seguiam este esquema simbólico. Caracterizavam também os santuários uma variedade rebuscada de detalhes, ornamentação profusa com baixos-relevos e esculturas. À ornamentação rebuscada na arquitetura contrapunha-se a simplicidade da pintura, uma das mais belas manifestações da arte hindu.

A arte da China, como a vida chinesa, era de caráter acentuadamente conservador. Sobressaía o gosto pelos pequenos objetos de adorno e ornamentação, executados em materiais difíceis de serem trabalhados, bronze, jade, laca, marfim, exigindo paciência, minúcia e grande habilidade técnica.

Também na arquitetura transparece a índole conservadora dos chineses. Palácios, edifícios administrativos, templos obedecem a um mesmo esquema arquitetônico: várias construções, unidas umas às outras por pátios e pavilhões formavam um todo harmonioso, integrado na paisagem, evidenciando a preponderância do conjunto sobre a construção isolada.

Com a difusão do budismo na China, ganhou importância a escultura e multiplicaram-se os edifícios religiosos, aparecendo templos cercados de muros. Um elemento chinês típico é o telhado de pontas curvas, característico dos pagodes.

Nos séculos VII e VIII desenvolveu-se a arte da porcelana com a qual os chineses se tornaram famosos; e, paralelamente, foi evoluindo a pintura, sobretudo a pintura da paisagem, realizada com rara beleza e delicadeza de traços e de colorido, sobre papel ou seda.

HOLLANDA, Sérgio Buarque de. História da Civilização. São Paulo: Nacional, 1980. p. 148-154.
e no Tao, desenvolveu uma doutrina filosófica, o taoísmo, que aconselhava sobretudo a meditação, a fim de permitir ao homem, penetrando em seu mundo interior, sentir melhor as forças básicas do universo. Essa doutrina filosófica transformou-se em religião cuja essência consiste em ser o homem bom, humilde, tolerante, devendo respeitar ao máximo as leis da natureza.

No século V a.C., outro grande pensador,Confúcio, sublinhou a ideia de que o homem pode vir a ser feliz na Terra, bastando para tanto desenvolver todas as boas qualidades que a natureza humana encerra; e, como Lao-Tsé, pregou a bondade, a tolerância e o respeito. Além disso, relevou especialmente as vantagens da educação, das boas maneiras, da tradição, para a conquista de um harmonioso relacionamento humano entre todas as classes sociais.

Os ensinamentos de Confúcio transformaram-se para o povo da China em um admirável sistema de princípios morais e, através da obra de seus seguidores, tornou-se doutrina conhecida por confucionismo.

O taoísmo, o confucionismo e depois o budismo (vindo da Índia) desempenharam papel importante na história da civilização e da cultura chinesa.

* Evolução histórica da China. O regime de governo predominante na China era a monarquia teocrática: o imperador intitulava-se filho de Deus, encarnando a suprema autoridade política e religiosa. Dentre as várias dinastias imperiais que governaram a China destacaram-se:

- A dinastia Ch'in (século III a.C.): unificou a China, antes dividida em numerosos principados; fortificou o poder central, destruindo o poder dos nobres; instituiu rígido controle burocrático e militar nas províncias, impondo a todas elas as mesmas leis e o mesmo sistema de pesos e medidas. Construiu larga rede de estradas; para defender as fronteiras do norte e do leste contra a invasão dos hunos, fez construir a Grande Muralha, aproveitando algumas fortificações já existentes.


A Grande Muralha da China

- A dinastia Han (séculos III a.C. - III d.C.): foi uma das mais célebres e ilustres na história da China. Estendeu as fronteiras territoriais, estabeleceu contato com outros povos, desenvolvendo o comércio sobretudo por intermédio de caravanas na rota da seda, em cujo percurso comerciavam-se artigos de luxo (tecidos de seda, especiarias e peles) que alcançavam elevadíssimo preço. O contato entre mercadores de várias procedências favoreceu a troca de informações e conhecimentos importantes. De um desses contatos estabelecido com regiões da Índia resultou a penetração na China da religião budista (século I a.C.).

Na mesma época, entretanto, em que as tribos germânicas começaram a transpor as fronteiras do Império Romano, apressando o seu decínio, povos bárbaros da Ásia central, iniciaram ataques à China, rompendo a Grande Muralha e ameaçando o império.

Sobreveio, assim, um longo período de quatro séculos conturbado por invasões e guerras, com insegurança política, falta de governo central, declínio econômico, que só veio a terminar com a ascensão de uma nova dinastia.

- A dinastia Tang (séculos VII-X): teve longa duração, conseguiu repelir invasores, expandir o território chinês em várias regiões asiáticas, fortalecer a administração, incentivar a educação e as artes, levando a cultura a um elevado nível de florescimento, dar prosperidade ao país, restabelecendo o equilíbrio econômico e o comércio exterior. Mas o avanço dos árabes na Ásia acabou provocando novo declínio econômico e a queda da dinastia Tang.

Sucedeu-se uma fase assinalada por contínuas ameaças externas e, por fim, no século XIII, a China foi tomada de assalto pelos mongóis sob a chefia de Gêngis-Cã. Seus sucessores estenderam rapidamente o poderio mongólico para além da China, até a Pérsia, a Rússia, a Ásia central. Nesse processo, porém, assimilaram hábitos e costumes chineses; demonstrando grande habilidade política, durante o governo de Cublai-Cã, o célebre veneziano Marco Polo teve ocasião de visitar a China e outras remotas regiões asiáticas.

No século XIV os chineses conseguiram libertar-se do domínio mongólico e instituiu-se o governo da dinastia Ming (séc. XIV-XVII), que marcou o início do isolamento da China com relação à Europa, isolamento esse que, durante 300 anos, iria intensificar-se cada vez mais.

3. Arte do Extremo Oriente

A arte hindu evoluiu lenta e continuamente, sempre por um processo de justaposição de formas antigas e novas.


A arquitetura é essencialmente religiosa e marcada, a partir do século VI a.C., pela filosofia budista.

Os santuários eram concebidos como modelo, em escala reduzida, do universo. No centro havia o templo onde se encontrava a imagem divina. O santuário era fechado por uma muralha, simbolizando as montanhas que circundam a Terra, e pontilhado por pequenos lagos que lembram os oceanos terrestres. Na direção dos quatro pontos cardeais abriam-se portas representando aberturas na abóboda celeste, isto é, as estrelas, através das quais estabelecia-se o contato entre Deus e os homens.

Os santuários hindus, dos mais simples aos mais complexos, seguiam este esquema simbólico. Caracterizavam também os santuários uma variedade rebuscada de detalhes, ornamentação profusa com baixos-relevos e esculturas. À ornamentação rebuscada na arquitetura contrapunha-se a simplicidade da pintura, uma das mais belas manifestações da arte hindu.

A arte da China, como a vida chinesa, era de caráter acentuadamente conservador. Sobressaía o gosto pelos pequenos objetos de adorno e ornamentação, executados em materiais difíceis de serem trabalhados, bronze, jade, laca, marfim, exigindo paciência, minúcia e grande habilidade técnica.

Também na arquitetura transparece a índole conservadora dos chineses. Palácios, edifícios administrativos, templos obedecem a um mesmo esquema arquitetônico: várias construções, unidas umas às outras por pátios e pavilhões formavam um todo harmonioso, integrado na paisagem, evidenciando a preponderância do conjunto sobre a construção isolada.

Com a difusão do budismo na China, ganhou importância a escultura e multiplicaram-se os edifícios religiosos, aparecendo templos cercados de muros. Um elemento chinês típico é o telhado de pontas curvas, característico dos pagodes.

Nos séculos VII e VIII desenvolveu-se a arte da porcelana com a qual os chineses se tornaram famosos; e, paralelamente, foi evoluindo a pintura, sobretudo a pintura da paisagem, realizada com rara beleza e delicadeza de traços e de colorido, sobre papel ou seda.

HOLLANDA, Sérgio Buarque de. História da Civilização. São Paulo: Nacional, 1980. p. 148-154.